UMA NOITE BEM LONGA PARA O SAMBA CANÇÃO | Duas Estantes

UMA NOITE BEM LONGA PARA O SAMBA CANÇÃO

POR KELLY GARCIA

Passei um ano para ler “A noite do meu bem – a história e as histórias do samba-canção”. Até eu me surpreendo, porque gosto bastante de livros que contam a história da música, vide os recentes O réu e o rei, que trata do imbróglio do biógrafo de Roberto Carlos e seu biografado e Nada será como antes, biografia de Elis Regina.

Mas, ao contrário do que eu supunha, o samba-canção não é um estilo de música que eu conheça tanto a ponto de me prender por uma obra que desfie os seus meandros. Me atraí por causa de Nelson Gonçalves e Maysa. Imaginei que se Lira Neto contou tanto sobre a rainha da fossa que li a biografia dela em dois dias, teria muito mais a ver na mais de uma década que o gênero musical fez sucesso. Além de esperar mais informações de pessoas que eu julgava importantes para esse tipo de música, como o boêmio. Mas, na minha ignorância, vi que eles eram apenas dois das dezenas de cantores imortais da dor de cotovelo.

Maysa é apenas uma das dezenas de personagens desse livro

Por isso, a leitura seguiu arrastada, apesar da obra ser tão bem escrita e tão cheia de imagens dos cantores e suas aparições na imprensa. Foi o tipo de livro que li para terminar mesmo. Por uma questão de honra.

Não engrenou, mas me ensinou muito sobre a história das boates, do próprio Rio de Janeiro dos anos 1940, 1950 e início dos 1960, pós fechamento dos cassinos. Também retrata o período em que Getúlio se suicidou e os bastidores políticos que envolviam os diretores dos grandes jornais, que eram clientes fieis das boates em que os grandes cantores do samba-canção se apresentavam. Algumas musas inspiradoras também são reveladas. O high-society da época também rende boas risadas.

Uma das histórias mais interessantes do livro é a de Danuza Leão, que foi casada com Samuel Wainer e depois, com um dos compositores de samba-canção, Antonio Maria

A edição e o projeto gráfico merecem todos os aplausos. Tanto a capa e a contracapa estão muito bem servidas de imagens importantes para o período em que esse estilo musical fez muito sucesso e na parte interna, são dois cadernos de fotos, capas de revistas e de discos, além de fac-símiles de jornais em que esses artistas brilharam.

Entre os cantores que têm bastante destaque na obra de Ruy Castro, estão Dolores Duran, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Também há pinceladas dos meus queridos Nelson Gonçalves e Maysa, assim como Angela Maria e Cauby Peixoto, como se fossem minibiografias. Talvez se o samba canção fosse um dos meus gêneros preferidos, a minha opinião fosse outra… Quem sabe o problema seja a leitora? Quem sou eu diante do autor de biografias tão imponentes como a de Carmem Miranda e de Garrincha?

A noite do meu bem – a história e as histórias do Samba Canção

Ruy Castro

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