QUATRO OBRAS NACIONAIS PARA CELEBRAR O #OrgulhoLGBT | Duas Estantes

QUATRO OBRAS NACIONAIS PARA CELEBRAR O #OrgulhoLGBT

POR ROSI MELO

No mês de junho é celebrado mundialmente o #OrgulhoLGBT – mesmo quando nós bem sabemos que esse orgulho deve ser celebrado todos os dias, não é, mores? Porque é preciso não deixar a data passar em branco, em meio a estatísticas absurdas que põem o Brasil na posição de país que mais mata travestis e transexuais no mundo, resolvi separar quatro maravilhosas obras nacionais sobre a temática LGBT que, de direta ou indiretamente, nos mostram caminhos e trazem esperança em meio a uma realidade tão cruel

Trago esta lista estando ciente de quão rasa é a representatividade LGBT na literatura nacional. E quando ela existe, poucas vezes foge do comodismo proporcionado pelo estereótipo. Espero que gostem das indicações. Foram pensadas com carinho 🙂

 

1. Onde andará Dulce Veiga?, de Caio Fernando de Abreu 

A primeira edição da obra foi lançada em 1990. A história, protagonizada por um narrador jornalista gay (cujas inquietações e personalidade se confundem com as do autor), gira em torno da investigação sobre o desaparecimento de Dulce Veiga, uma famosa cantora da década de 60. Escrito entre as décadas de 80 e 90, o livro reflete a eferverscência política e social em que o país se encontra, ao mesmo tempo em que traz para o centro da discussão a sexualidade do personagem principal e o terror que a AIDS representa. A obra, inclusive, foi adaptada para o cinema em 2008 e carrega nomes como Carolina Dieckmann e Maitê Proença no elenco.

 

 

 

2. A parede cor-de-rosa de Rodrigo Blue, de Júnior Ratts

Vencedor do Prêmio Raquel de Queiroz na categoria literatura infantil, esta obra é uma preciosidade da literatura cearense. Em pouco mais de 30 páginas de texto corrido e ilustrações belíssimas da Dedê Oliveira, o escritor Júnior Ratts nos conta a história de amor entre Rodrigo e sua parede. Criança, ele acabou de se mudar com os pais para um novo lar e está apaixonado pelo seu novo quarto, mais especificamente pela parede rosa do quarto. Os pais dizem que vão pintar o quarto de azul, que é “cor de menino”, mas Rodrigo não gosta nada da ideia.

 

 

3. Viagem solitária, de João W. Nery

João W. Nery, o primeiro transexual brasileiro de que se tem notícia, resolveu conta sua história 30 anos depois. Uma infância confusa, uma adolescência conturbada, o corpo a se desenvolver, a certeza de não sentir na própria pele a liberdade. Uma trajetória tecida a dor e solidão que reflete a realidade de muitos.

 

4. E se eu fosse puta, de Amara Moira

Já falei sobre essa obra anteriormente aqui no blog em um post sobre obras feministas (clique aqui para ler). Mas para quem ainda não conhece a diva vulgo Amara Moira, vale uma apresentação. Amara é travesti, prostituta e doutoranda em crítica literária pela Unicamp. Nesta obra, ela discute desde o ser mulher (desconstruindo estereótipos e preconceitos) às aventuras e desafios de sua profissão noturna, a convivência diária com o medo e a sua militância. É tiro para todo canto!

 

 

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