NA POLTRONA, UM LIVRO INSTIGANTE | Duas Estantes

NA POLTRONA, UM LIVRO INSTIGANTE

POR KELLY GARCIA

José Castello é um crítico literário dos mais respeitados. Durante décadas, foi um dos colunistas de literatura mais lidos nos jornais. Além de crítico, Castello também é escritor, tão talentoso quanto nas colunas. Passei anos me enamorando do seu “O Poeta da Paixão”, a biografia de Vinícius de Moraes. Então, quando vi “A Literatura na Poltrona – Jornalismo Literário em tempos instáveis”,  esquecido em um dos muitos estandes da Bienal de 2014, tive que comprá-lo.

José Castello foi colunista de Literatura em vários jornais

Entre a compra e a leitura, passou muito tempo, mais de um ano. Muito mais pelo meu desleixo do que pelo quão interessante eu imaginava que a  obra fosse, já que pretendia falar sobre o Jornalismo Literário. Ao ler as orelhas, imaginei que fosse um livro mais técnico e que tratasse de conceitos e não das opiniões pessoais do autor sobre livros e autores. Quando percebi que eram crônicas sobre as impressões de Castello sobre a própria forma de ler, além de curiosidades sobre autores importantes, como Clarice Lispector, a leitura fluiu apaixonada e cheia de marcações.

Se você, como eu, além de amar ler, ainda tem blog ou vlog, vai se apaixonar por esse livro, certeza.

Ao todo, são 15 capítulos, uns mais longos, outros mais curtos. Porém, o mais longo não ultrapassa 25 páginas. Entre os assuntos citados, estão o impacto gerado por Clarice Lispector no exterior, as primeiras leituras do autor, quais os efeitos de uma oficina de escrita criativa, além de alguns detalhes da vida de autores como Jorge Amado, Pablo Neruda, Drummond, Edgar Allan Poe e Kafka.

Alguns dos muitos grifos que fiz:

Livros que devoram pessoas. Pessoas que encontram partes preciosas de si não em outras pessoas, mas em livros. Romances e poemas que penetram, em segredo, a mente de seus leitores.

Não existem caminhos retos que conduzam à literatura, eles são sempre tortos e movediços.

Em um mundo obstruído por dogmas e slogans, a função da literatura não é concluir, mas desencadear. Não é fechar soluções, mas descortinar dúvidas e perguntas. Não é oferecer imagens prontas, mas vislumbrar novas maneiras de ver. Por isso, a literatura deve-se ater às turbulências do mundo: não na esperança de detê-las, ou de canalizá-las; mas para mergulhar na tempestade feroz que o homem hoje navega.

 

Antes de publicar essa coletânea, José Castello publicou alguns dos artigos do livro na revista literária Rascunho. Castello é ainda ganhador de dois Jabutis. O primeiro, pelo ensaio, que é o livro O Poeta da Paixão, minha querida biografia sobre Vinicius de Moraes e o segundo, em ficção, por Ribamar.

Enfim, para quem curte ler e, mais ainda, para quem faz resenha de livros, essa é uma obra que tem que estar na estante, nem que seja para instigar o blogueiro ou vlogueiro a escrever uma coletânea das suas impressões literárias.

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