MUITO PRAZER, PERPÉTUA | Duas Estantes

MUITO PRAZER, PERPÉTUA

ROSI MELO

 

Preciso fazer algumas perguntas simples a vocês. Alguma vez já pararam para pensar na história de sua família? Quem eram e onde viveram seus avós, bisavós, tataravós? Que aventuras e desafios enfrentaram? Que lembranças, de amores ou tristezas, marcaram a vida de seus antepassados? Foram eles europeus, indígenas, africanos? Presidentes, escravos, operários? Ou como eu, o passado dos que vieram antes de você lhe é obscuro? Pense um pouco.

O motivo de meus questionamentos anteriores é simples. Preciso lhe fazer uma revelação: cada família carrega uma história. Seja ela comum ou heroica, registrada em livros de papel ou apenas na memória, posso te garantir que com toda certeza é uma história única e especial. E a história de Perpétua, livro-reportagem da jornalista cearense Maggie Paiva, não foge à regra.

“Perpétua” foi escrito originalmente como Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará

Em pouco mais de 200 páginas, Maggie escreve e investiga com muita sensibilidade e esmero a história de Perpétua. Uma história de pessoas comuns que, em sua simplicidade, impactaram vidas e selaram o destino de futuras gerações. Cearense natural de Quixadá, mãe, mulher trabalhadora, Perpétua e sua família seguiram o exemplo de muitos que deixaram o Ceará para tentar uma vida melhor em outro estado, durante as décadas de 70 e 80. O destino foi o Pará, na época do boom da mineração na região.

O Pará, no entanto, nunca foi lugar de pertença. Foi passagem. A família, ansiosa para retornar ao Ceará, onde estavam fincadas suas raízes, jamais poderia prever que se envolveria em uma tragédia. O naufrágio do Jolú, embarcação que levava Perpétua, os filhos e tantos outros transeuntes, nas águas do Rio Amazonas, mudou para sempre a vida de quem fez direta ou indiretamente parte desta história.

A autora, que também é natural de Quixadá, refez o percurso de Perpétua ao contrário. Visitou amigos, familiares em ambos os estados, andou de barco, percorreu a Transamazônica, indo de Ceará ao Pará, do Pará ao Ceará, para compor esta obra que, claramente, foi uma das minhas melhores leituras do ano. Bem escrito, investigado e costurado. Maggie realmente conseguiu imprimir na leitura a medida certa de jornalismo e ficção que ela credita a uma de suas grandes inspirações para o trabalho, A Sangue Frio, de Truman Capote.

A autora

Para mim, uma das partes mais interessantes da obra é o Diário de Bordo anexado ao final do livro. Nele, a autora reúne fotografias, reflexões, os bastidores de viagens, de entrevistas e conversas. Ali a humanidade da autora transborda e é onde nós, leitores, entendemos o quanto de Perpétua está presente em cada um de nós. Acredito que este seja o trunfo dessas histórias de pessoas comuns: o que nos fascina é descobrir o quanto esse ou aquele acontecimento poderia facilmente ter acontecido com a gente. A identificação é o que há de mais humano e belo em Perpétua.

Sabe o que é mais legal? Você pode ajudar Perpétua a ganhar uma edição impressa! Ficou confuso? Calma que eu explico. Eu li o livro em pdf, com exclusividade haha A autora abriu uma campanha de financiamento coletivo no Catarse para imprimir 300 exemplares da obra e precisa da sua contribuição para transformar esse sonho em realidade. Para doar qualquer valor, acesse o link: https://www.catarse.me/perpetua_ajude_a_publicar_essa_historia_d72f. Você pode ganhar brindes e até o próprio livro, dependendo do valor da doação, então fica esperto 😉

Para conhecer mais sobre o projeto, pode seguir @livroperpetua e @liroucomunique no Instagram. Neste post, dei mais alguns detalhes sobre a campanha.

 

Comentários
Tags:

Nenhum comentário em "MUITO PRAZER, PERPÉTUA"