LEITURAS DE JANEIRO, por Rosi Melo | Duas Estantes

LEITURAS DE JANEIRO, por Rosi Melo

Muito mais importante do que quantidade, é qualidade de leitura. Segunda (30), divulgamos, eu e Kelly, nossas metas literárias para o ano que se inicia aqui no Duas Estantes (leia aqui).  Neste ano de 2017, eu me propus a ler com calma obras mais densas e teóricas. As leituras deste mês de janeiro, acredito, refletem um pouco dessa minha preocupação.

Li, ao todo, 7 livros neste mês de janeiro. Três deles, publicações de autores brasileiros: Lugar de Mulher é onde ela quiser, de Ana Paula Barbi, Clara Averbuck e Mari Messias, três amigas criadoras do site feminista Lugar de Mulher (www.lugardemulher.com.br) que reúnem nesta obra textos sobre assuntos como autoconhecimento, feminismo e aborto; o vencedor do Prêmio Jabuti 2000 Estação Carandiru, do médico Draúzio Varella, que retrata as suas impressões enquanto médico voluntário, entre o final da década de 80 e os anos 90, na Casa de Detenção de São Paulo, onde 111 detentos foram mortos pela polícia durante rebelião no presídio em outubro de 1992; e Diário póstumo de Charlotte, romance de estreia do jovem cearense Jairo Sarfati.

Na lista também, um clássico da ficção científica: Frankenstein, de Mary Shelley. Que mulher! Que livro! Apesar de ter lido a versão reduzida em inglês no ano passado para o curso de inglês que faço, ler a edição em português (e capa dura!) da editora Nova Fronteira foi uma experiência bem melhor.


O que li de “leve” em janeiro definitivamente foi Novembro 9, da Colleen Hoover. Uma história ok sobre um garoto e uma garota que se conhecem e decidem se reencontrar uma vez por ano no dia 9 de novembro. Achou parecido com Um DiaO enredo possui umas diferenças fundamentais, mas em linhas gerais é bem parecido sim. Já li da autora Ugly Love (que foi ok também) e Maybe Someday (desse eu gostei) e estou bem ansiosa para ler Confess, lançado lá fora em 2015 e, honestamente, não sei se o lançamento em português já foi confirmado.

Enquanto isso, O Inferno dos Outros, de David Grossman, foi aquele romance maroto que se encaixou bastante com a temática do meu TCC, que é sobre humor. Na obra, o autor nos conduz a uma apresentação regada a humor negro, traumas e autoflagelação de um comediante de stand-up chamado Dovale em uma casa de show em Netanya, cidade de Israel. Trouxe aquela boa reflexão para pregar na parede do quarto: por que o inferno dos outros nos incomoda com a mesma intensidade com que nos atrai?

Reportagens, do jornalista-quadrinista Joe Sacco, foi sem dúvida a melhor leitura do mês. Na obra, que recebemos da Companhia das Letras, Sacco traça um olhar subjetivo – não menos jornalístico – sobre conflitos e guerras ao redor do globo que teve a oportunidade de cobrir. O drama das mulheres chechenas, as dificuldades de refugiados africanos em Malta, a incursão do exército americano no Iraque, a cruel separação de castas na Índia são algumas das narrativas que compõem a obra. Aprendi muito com Sacco e pretendo conhecer melhor outros trabalhos seus.

 

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