DEZ LIVROS DE CONTOS PARA CONHECER | Duas Estantes

DEZ LIVROS DE CONTOS PARA CONHECER

KELLY GARCIA

Devo dizer que essa paixão por livros de contos vem de pouco tempo. Tanto é que a maioria dos livros dessa lista foram lidos ou adquiridos nos últimos dois anos. Também tem alguns que eu ainda não li, mas que estão na lista de para muito breve. São estes: Na berma de nenhuma estrada,  Doze Contos Peregrinos e  Clarice na Cabeceira: Contos. Aguardo os comentários de quem já leu para me dizer se posso colocá-los para furar a fila. (Rsrs)

Vocês vão notar também que a Editora Moinhos, de Belo Horizonte, está com três livros dessa lista. Não é favoritismo não, minha gente. Os livros realmente são um achado. Recomendo demais para quem gosta desse gênero, além das edições serem muito bem feitas. Outra característica, mas essa minha mesmo, é que só tem três livros de autores estrangeiros. É porque sou muito fã dos nacionais, porém aceito recomendações de autores de contos de outros países. Mas, vamos à lista:

Dizem que os cães veem coisas – Moreira Campos  (Edições UFC)

Esse cearense, homenageado na penúltima edição da Bienal do Ceará, tem contos bem enxutos que receberam elogios de outra cearense famosa, ninguém menos que Rachel de Queiroz. As histórias são tão bem amarradas que renderam adaptações para o teatro e cinema. Vale demais garimpar a edição num sebo qualquer.

 

Todo Naufrágio também é um lugar de chegada – Marco Severo (Moinhos)

Me reconheci em várias situações inconfessáveis descritas. Em cada conto, em cada personagem, situações colocam o ser humano confrontado com o mundo à sua volta e consigo mesmo. Reunidas nestas vinte histórias estão o medo, a loucura, a infância amarga, a velhice decrépita, a desesperança, a morte. Mas não só, porque falar dessas coisas é também tratar do seu oposto. É assim que o leitor entrará em contato com a paz advinda do aprendizado amoroso, as descobertas dos muitos eus que nos habitam, o recomeço após perdas debilitantes, a esperança que não se perde nunca. São histórias de homens e mulheres soltos no inescapável labirinto da vida, por onde ninguém passa incólume.

 

Fugitiva – Alice Munro (Biblioteca Azul)

Vencedora do Nobel de Literatura de 2013, Alice Munro apresenta em Fugitiva as obscuras e frágeis fundações de relacionamentos, de descobertas juvenis ou tardias, de enfrentamento ou aceitação de mistérios no universo feminino. As mulheres de Munro se encontram em constante questionamento: a idade, o trágico e o belo de correr atrás de um homem que acaba-se de encontrar no trem, a insegurança e o desejo em forças opostas na relação entre marido e esposa. O mais interessante é a proximidade das histórias com o real. Poderia acontecer com qualquer uma de nós.

 

Contos Fluminenses – Machado de Assis (L&PM Pocket)

‘Contos fluminenses’, publicado em 1870, nos apresenta o Rio de Janeiro do período colonial. Em contos como o famoso “Miss Dollar”, é possível perceber o estilo machadiano se desenvolvendo. Ainda preso à estética romântica, seu tom irônico, suas observações sobre as personagens e a conversa estabelecida com o leitor se mesclam às narrativas.  Uma delicinha.

 

Heróis Urbanos – vários autores (Rocco – Jovens Leitores)

Reunindo jovens e veteranos da ficção brasileira – Raphael Montes, Luisa Geisler, Rubem Fonseca, Natércia Pontes, Leticia Wierzchowski, Cecilia Giannetti e Emiliano Urbim –, a coletânea de contos para jovens “Heróis Urbanos” desconstrói o arquétipo do herói presente na cultura pop, com uma galeria de personagens cheios de complexidade e contradições saídos do cotidiano urbano. Desprovidos de poderes especiais, os protagonistas dessas histórias narradas em linguagem crua vagam anônimos pelas metrópoles contemporâneas, colocando em xeque o bom e o mau, o certo e o errado, o heroísmo e a vilania, como uma cabeleireira que lida com o surgimento de um serial killer numa favela, ou uma garota precoce que gerencia um negócio inusitado na escola.

 

Na berma de nenhuma estrada – Mia Couto (Companhia das Letras)

Mia Couto selecionou 38 textos, publicados originalmente em jornais e revistas ao longo dos últimos anos, para esta coletânea.  A intensidade das personagens, a multiplicidade de registros em que as várias tramas ocorrem, o universo do fantástico e do sobrenatural coexistindo em perfeita sintonia com o cotidiano da tradição, da cultura e da vivência; a capacidade de fabulação e a oralidade sonora da palavra escrita são encantatórias e misteriosas.

 

Conserto de Oficina – Claúdia Gelb (Moinhos)

Consertos de Oficina é um livro sobre o amor, em toda a sua dimensão. Claudia Gelb trata do assunto de forma corajosa, pois como dizia o poeta Vinicius de Moraes, “são demais os perigos dessa vida pra quem tem paixão”. São contos que falam das relações afetivas sem medo de expor as mazelas e os prazeres desse que é o mais universal de todos os sentimentos.

 

Doze contos peregrinos – Gabriel García Marquez (Record)

Doze contos peregrinos são histórias de latino-americanos na Europa, peregrinos que não deixam de sonhar com a terra natal. O mestre do realismo fantástico Gabriel García Marquez usa como pano de fundo Barcelona, Genebra, Roma e Paris para retratar a solidão através de histórias brilhantes de amor, poder e morte.

 

 

O interesse pelas coisas – Eduardo Vilela (Moinhos)

O Interesse pelas Coisas traz em si o inusitado, seja na forma de contar uma história, seja em elementos que a compõem. As narrativas presentes neste livro vão sendo desenhadas por uma mão que fala, distorce e modela como uma panela de barro, de maneira quase surreal, os objetos e as histórias que observamos. Para ler despretensiosamente.

 

Clarice na Cabeceira: contos – vários autores (Rocco)

Organizado pela doutora em Letras Teresa Montero, é uma bem escolhida amostra de instantes de beleza retirados das obras de Clarice Lispector e apontados por 22 integrantes da legião de fãs da escritora. E não se trata de quaisquer fãs. Luis Fernando Verissimo, Fernanda Torres, Affonso Romano de Sant’Anna, Rubem Fonseca, José Castello, Maria Bethânia e Luiz Fernando Carvalho são algumas das personalidades que compõem o time estelar de colaboradores do livro. Para complementar, acredito que seja maravilhoso ter em mãos outra obra de Clarice, como aquela coletânea Todos os Contos, editada pela finada Cosac Naify.

 

 

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