CRIANÇAS DINAMARQUESAS SÃO PERFEITAS? | Duas Estantes

CRIANÇAS DINAMARQUESAS SÃO PERFEITAS?

POR KELLY GARCIA

 

Livros sobre educação sempre me atraem. Aqui em casa, tenho dois filhos de idades bem diferentes, o que sempre me gera dúvidas em potencial sobre como agir em momentos chave e, principalmente, como lidar com teimosias, birras e coisas do tipo.

Nesse caso específico, o  título “Crianças Dinamarquesas – O que as pessoas mais felizes do mundo sabem sobre criar filhos confiantes e capazes” já é bem convidativo. Afinal, quem não iria querer saber como o povo mais feliz do mundo educa suas crianças? Para fechar o projeto da Fontanar, que integra o Grupo Companhia das Letras, com chave de ouro, a capa ainda tem uma proposta minimalista, com legos coloridos, uma das invenções do povo desse país escandinavo. Uma combinação dessas tinha que dar certo.

 

 

A Dinamarca é tricampeã em felicidade nas quatro edições do Relatório Mundial da Felicidade, organizado pelas Nações Unidas. As duas autoras, Jessica Joelle  Alexandre  e Iben Dissing Sandahl, acreditam que a raiz dessa característica está no cuidado com as crianças. Para provar essa hipótese, elas dividem o livro em capítulos que formam o acróstico FILHOS, assim disposto:

F de farra

I de integridade

L de linguagem

H de humanidade

O de opressão zero

S de socialização

O livro é bem didático e sempre cita situações reais. No final de cada capítulo, ainda é dada uma lista de dicas de como aplicar cada ítem à realidade de cada família de forma prática.

Jessica Joelle, que tem formação na área de psicologia, é americana e aprendeu muito sobre o processo de educação daquele país por ter se casado com um dinamarquês. Por isso, faz várias comparações pertinentes, especialmente entre as culturas influenciadas pelos Estados Unidos e a cultura dinamarquesa. Iben Dissing é dinamarquesa e psicoterapeuta especializada em crianças e família. As duas são mães, com dois filhos cada. Um exemplo  dessas diferenças é o extremo individualismo que existe nos EUA e também no Brasil, bem diferente do que é visto na Dinamarca e que ela toca no H de humanidade. A O de Opressão Zero também tem desafios em ser aplicada por aqui, até porque a Lei da Palmada é uma legislação bem recente no Brasil e a forma de impor autoridade no nosso país é muito diferente da deles.

Outro aspecto bastante ressaltado pelas duas é a cultura do “hygge”, palavra que só existe naquela língua e que representa um estilo de vida. A palavra tem sua origem no século XIX e deriva do alemão “hyggja”, que significa sentir-se satisfeito. Nesses momentos, os dinamarqueses reúnem suas famílias para brincar todos juntos. As autoras até sugerem um juramento especial para esses momentos, caso os leitores queiram introduzir esse hábito. Nesse “documento”, as famílias prometem esquecer tablets e celulares, não tocar em assuntos polêmicos e criar brincadeiras das quais todos possam participar e em que todos desempenham um papel. Interessante, não?

Típico jantar de Hygge dinamarquês. Esse hábito é tão forte naquele país que existem inúmeros livros ensinando essa prática para outras culturas

Na introdução, Iben e Jessica também encorajam o leitor a identificar a sua configuração-padrão de educação de filhos, que diz respeito à forma como se foi educado e que, em geral, domina a pessoa nos momentos de maior estresse, como diante de alguma birra ou desobediência mais grave. A intenção é conhecer essa configuração e analisá-la, para avaliar o que precisa ser modificado e o que deve permanecer, porque muitas vezes, o pais não conseguem perceber o porquê de terem comportamentos agressivos ao educar seus filhos. Fica tudo no “automático” e isso pode ser extremamente prejudicial. Outro bônus são as pesquisas científicas detalhadas no fim do livro, sobre cada aspecto abordado nos capítulos.

Para concluir, é um livro que merece demais estar na estante tanto de quem lida com educação no ambiente familiar, quanto para professores da educação formal.

Quer saber mais? Leia aqui uma entrevista recente com as autoras no jornal O Globo.

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