CINCO OBRAS FEMINISTAS PARA TER NA ESTANTE | Duas Estantes

CINCO OBRAS FEMINISTAS PARA TER NA ESTANTE

POR ROSI MELO*

Autora de sucessos como “Sejamos Todos Feministas” e “Americanah”, a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie é uma das grandes vozes feministas da atualidade

Em 2014, a escritora Joanna Walsh criou a hashtag #readwomen2014. O objetivo era simples: incentivar as pessoas a lerem mais escritoras. Desde então, o projeto ganhou o mundo e, no Brasil, ficou conhecido como Leia Mulheres. Hoje em dia, a iniciativa alimenta clubes de leitura nas principais capitais do País.

Recentemente, li uma reportagem dizendo que apenas 14 mulheres receberam o Nobel de Literatura, em 115 anos de existência da premiação. Apenas uma delas – Toni Morrison, premiada com “Amada” (1987), romance que narra a história de uma ex-escrava que foge com os filhos após a abolição da escravatura nos Estados Unidos – é negra.

Há algum tempo li um artigo que me fez uma perceber uma coisa: não adianta você ler mulheres se as histórias que elas contam apenas objetificam o corpo feminino, enaltecem o machismo ou pregam um falso feminismo do tipo “você é linda, poderosa e independente, mas precisa de um homem”. O que essa literatura traz de bom para nós, mulheres, além do fato de nos deixar inseguras, frustradas e com expectativas irreais? 

Acredite ou não, esse tipo de romance de banca de jornal ainda vende muito. Durante a adolescência, a maioria das mulheres que li escreviam sobre isso. Não me orgulho do meu passado. Nada contra livros de sacanagem, contanto que eles respeitem as mulheres – o que, cá entre nós, é bem difícil.

Por essas e outras, como feminista, hoje defendo: precisamos ler mulheres sim, mas mulheres que nos contem histórias inteligentes, com personagens realistas e interessantes, diversidade e o poder de nos transformar positivamente. Mulheres que nos tirem da zona de conforto, que nos apresentem realidades diversas, que nos façam questionar o que nos é imposto como “certo” e “errado” em uma sociedade tão violenta e machista.

Dito isso, quero indicar cinco obras lindas que, acredito, vão fazer um bem danado a vocês como fizeram a mim.

 

“Para educar crianças feministas” (compre aqui: http://amzn.to/2nqv79p)

Em 96 páginas, a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie questiona vários tabus relacionados à maternidade e à educação infantil e mostra que caminhos alternativos não só são possíveis, como necessários. A obra foi escrita no formato de uma carta para uma amiga da autora, que pediu conselhos a Chimamanda sobre como educar a filha como feminista. Foi um daqueles livros que devorei em uma sentada e me apresentou uma nova perspectiva sobre a maternidade. Obras também da autora, “Sejamos todos feministas” e “Americanah”.

 

“Lugar de mulher é onde ela quiser” (compre aqui: http://amzn.to/2nqLYbZ)

Nesta obra, três brasileiras se reúnem para falar sobre a vivência delas em relação a variados assuntos, como feminismo, política, cultura pop, sexo, gordofobia, autoestima, etc. Elas são Ana Paula Barbi, Clara Averbuck e Mari Messias, idealizadoras do site Lugar de Mulher (http://lugardemulher.com.br). A gente se identifica um bocado com as histórias das meninas e é também aquele livrinho para ler em uma sentada.

 

“Magra de ruim”

Autobiográfica e independente, a obra reúne uma série de desenhos e pequenas histórias da quadrinista cearense Sirlanney Nogueira. Em seus traços, ela aborda temas como empoderamento feminino, sexualidade, inquietações artísticas e desilusões amorosas. “Magra de ruim” é também o nome da fanpage da autora onde podemos acompanhar semanalmente os seus últimos trabalhos.

 

“E se eu fosse puta” (compre aqui: http://amzn.to/2nqGRZw)

Amara Moira é travesti, prostituta e doutoranda em crítica literária pela Unicamp. Lançando uma discussão sobre o que é ser mulher e desconstruindo estereótipos e preconceitos, a autora narra nesta obra autobiográfica desde as aventuras e desafios de sua profissão noturna, a convivência diária com o medo e a militância LGBT.

 

“A cor púrpura” (compre aqui: http://amzn.to/2o6z85U)

A história que rendeu a Alice Walker o Pulitzer de Melhor Ficção se inicia em 1909, nos Estados Unidos. Com apenas 14 anos, a adolescente negra Celie é violentada pelo pai e dá a luz a duas crianças. Separada dos filhos, ela é entregue pelo pai a Sinhô, que a trata mais como uma escrava que como esposa. Invisível perante uma sociedade racista, Celie consegue aos poucos se impor e conquista liberdade.

 

Este post integra a contribuição do blog Duas Estantes ao projeto #mulheresparaler. Conheça mais sobre a iniciativa: https://contoemcanto.com.br/mulheres-para-ler-912d5a3485d5#.fwwsj46td.

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